A imagem atual do Brasil expressa-se em uma visão dicotômica entre um país líder regional (ou com sérias aspirações a) e um país que exerce suas potência sem assumir compromissos regionais e custos dos processos e com atitudes que se chega a classificar como imperialista.
Estas duas visões se encontram, no momento, intrinsecamente ligadas, e são vitais aos tomadores de decisão uruguaios para definição da inserção internacional, da orientação em política exterior e do papel que o país possui na região e no mundo. Discutem-se temas delicados como os custos do processo de integração regional, a orientação do Mercosul, a estratégia e a maneira de aprofundar o processo, as assimetrias e os fundos estruturais para sua redução. Não obstante, as imagens vinculadas à liderança e à potência são as que predominam no conjunto.
Além deste âmbito “político-mercosuriano”, há outros de construção de imagens do Brasil: o regional sul-americano, o de cooperação bilateral, de edução e cultura e o de âmbito econômico.
No regional sul-americano, a imagem do Brasil associa-se positivamente às potencialidades da liderança do país na América do Sul e de formação de um pólo de poder no sistema internacional. Em outro sentido, negativo, vislumbram-se conflitos do Brasil com vários países da região, as dificuldades de exercício de seu poder e a falta de “cintura” na resolução de alguns conflitos. Em uma perspectiva macropolítica, este é o âmbito no qual se expressam mais claramente as diferenças em matéria de caminhos e modalidades de integração e modelos de desenvolvimento. De outro lado, também há a expressão de reivindicações nacionais e sua influência na política exterior. Com isto, o papel do Brasil no processo regional e o caminho que escolher são de suma importância, tanto para as reivindicações dos diferentes países como também para a orientação global do processo sul-americano.
No âmbito bilateral, pouco conhecido, há uma dimensão cooperativa, na qual se canalizam projetos, sobretudo na fronteira, que geram um componente positivo à imagem do Brasil.
No âmbito educativo-cultural, há uma rede com vários atores no Mercosul, que conformam os pilares da sociedade regional futura e associam diferentes modalidades de expressão dos povos. Aqui, a imagem do Brasil é mais contemporizadora e horizontal, na medida em que as redes e os atores se sentem partes da construção democrática de uma região diferente.
No âmbito econômico, a estratégia de expansão das empresas brasileiras desperta reações de preocupação e “nacionalistas”. Isto realimenta uma imagem do Brasil potência e expansionista, sem maiores preocupações com o exercício de uma real liderança regional.
Estas imagens refletem as etapas que a América do Sul e o Uruguai vivem nesta transição pós-Guerra Fria e pós-neo-liberalismo. Neste sentido, as políticas que o Brasil adote serão fundamentais à construção de novas imagens do país, melhores ou piores, e influenciarão as estratégias de desenvolvimento e as relações entre os países sul-americanos. São imagens que surgem na construção do regionalismo, cujo conteúdo será cada vez mais regional e terá conotação cada vez menos nacional, ainda quando a visibilidade destas mudanças não seja tão evidente no presente.
CAUÊ OLIVEIRA FANHA, Bacharel em Administração pela Universidade de Brasília (UnB), ingressou na Carreira Diplomática em 2009 (Terceiro Secretário).
