Argentina e Uruguai, assim como Brasil, desenvolveram suas economias em bases agroexportadoras. Em período recente do passado, entretanto, perceberam vulnerabilidades nessa forma de inserção internacional – baseados em diagnóstico cepalino. Aplicaram, então, uma estratégia de substituição de importações. Vale ressaltar que, no Brasil, a política de substituição de importações (PSI) não se inicia essencialmente como uma política pública consciente, mas devido, sobretudo, à conjuntura internacional favorável que permitiu a industrialização. Nos casos argentino e uruguaio (bem como no chileno), o processo foi, desde o inicio, carregado de maior intencionalidade. Essa estratégia, essencialmente econômica, coincide no tempo com processos políticos pontuados pela instabilidade das instituições democráticas. O colapso do processo ocorre ainda em período autoritário – no início do processo de transição para a democracia.
O PSI entra em crise por problemas de escassez de mercado interno e de ineficiências do próprio processo. Em países como o Uruguai, com mercado interno muito pequeno, é difícil imaginar que esse sistema funcionaria. No caso do Brasil, deveu-se muito mais à combinação de dois desequilíbrios gerados por essa estratégia: inflação e acúmulo de dívida externa. Nota-se que todos esses países, após a democratização, seguem processos de liberalização econômica semelhantes. No início desse ciclo, observa-se uma série de ganhos – principalmente em eficiência. Com o tempo, percebe-se que tais ganhos vêm acompanhados de alguns problemas – na concentração de renda, na vulnerabilidade do câmbio, na fragilidade do balanço de pagamentos. O caso da Argentina é emblemático, já que a exacerbação dessas dificuldades levou à grave crise no país. Talvez como tentativa de superação desses problemas, tem-se o último ciclo comparável entre esses países: a chegada ao poder de alianças de centro-esquerda (os Kirchners na Argentina, Tabare Vasquez no Uruguai e Lula no Brasil).
Peru e Bolívia, por sua vez…
Graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), ingressou na Carreira Diplomática em 2009 (Terceiro Secretário).